quarta-feira, 11 de março de 2020


er


Os olhos cansados
 quase vêem a invisibilidade
Ainda acordados
quase tocando
do horizonte afastando
do limite a extremidade 
Aclarando
            a luz anterior à noite terminável






urmuração

São mudos os sons ocultos no regresso ao lugar inicial do paradoxo
São silenciosamente sempre absurdos e ásperos os versos tumultuosos envoltos num sussurro sísmico

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018



xcepção

a memória que se esquece
o passo que se perde
o pensamento que esgota 
o tempo que envelhece

a morte que não morre

terça-feira, 7 de agosto de 2018







essureição


A flor fenece murcha
e murcha retoma a terra
um sopro último sopra o pólen 
que semeará o solo


domingo, 17 de junho de 2018



obressalto

Do sobressalto salta o som
Do som solta-se o sopro
Do sopro sobra o sobressalto

sexta-feira, 1 de junho de 2018







ulsar



Uma colisão de destroços que fissura as ruínas de um mundo devassado

segunda-feira, 14 de maio de 2018


xpectativa


No inexplicável advento de Sermos 
Surpreendentemente corpo  
Surgimos pensamento
Com a inata expectativa da grandeza implícita  

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017




empo



Se vos disser que o tempo se esvai, Subitamente
E que, de Súbito, 
Ao tempo, suavemente vertiginoso,
Sunirá o temor de o perder  

segunda-feira, 16 de outubro de 2017




ovena


Nove vezes a face nos assola
Nove rostos nos assomam em memória
Nove terços somados como partes
Nove novenas em verso formando tempestades

sexta-feira, 29 de setembro de 2017







laridade


Afastemos do peso que (nos) dobra
A densa espessura que (nos) contrai
Apartando do medo a culpa que o torna irrespirável
Encontraremos, no tempo incógnito, a claridade que nos declinou